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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

DICAS PARA O PROCESSO SELETIVO DA EMIRATES

Bom, de tanto que as pessoas encherem meu saco me pedirem para eu dar dicas sobre o processo seletivo da Emirates, eu resolvi me livrar deste karma e compartilhar tudo o que eu sei sobre o processo seletivo. Lembrando para os coleguinhas que eu não sei nenhuma fórmula mágica, não trabalho pra nenhum setor da empresa que seja responsável por recrutamento, tampouco pra empresa responsável pelo recrutamento no Brasil e não sei nada além do que será colocado aqui. Espero poder ajudar àqueles que ainda precisam de uma luz, mas, lembrem-se: depende muito mais de você do que dos conselhos que eu ou qualquer outra pessoa possamos te dar!


QUE ROUPA USAR?
Muita gente me pergunta como ir ao processo seletivo. Simples: olhe uma foto de um comissário ou comissária da empresa e vá o mais parecido possível daquilo! Observem a imagem abaixo?

(Fonte: banco de imagens do Google)

HOMENS
Barba feita, cabelo curto e penteado, unhas limpas, terno e gravata. Sapato social de cores escuras ou cores que combinem com seu terno - NUNCA, JAMAIS sapatenis! Nem preciso mencionar coisas como sapato polido ou dentes escovados, né? Se precisava, já estão mencionadas. Meninos, por deus, nada de relógio dos Power Rangers que te avisa a hora de morfar - prefira algo discreto, com cores neutras. Nada de piercing ou tatuagens aparentes. Se precisar usar alguma maquiagem bem discretamente pra alguma parte do rosto, ok... mas não exagere!

MULHERES
Cabelo: coque no cabelo - tem que ser coque? Você está vendo alguma delas de cabelo solto? Não, pois é... minha dica é ir de coque, pra que eles já te vejam do jeito que você vai trabalhar. Normalmente as meninas aqui usam uma coisa que se chama donut (ou rosquinha) pra deixar o coque bem bonito e todo certinho. Passe gel pra que todos aqueles cabelos perdidos fiquem certinhos e, se tiver, use uma redinha no coque pra que os cabelos não fiquem soltos por lá também.

Batom: vermelho - que tom de vermelho? Pegue uma imagem do chapéu da Emirates... é esse vermelho. Tem que ser vermelho? Não necessariamente, mas, novamente, você tá vendo alguma comissária com outra cor de batom? Claro, valem as exceções no caso de vermelho ser uma cor que definitivamente não combina com você. Você saberá que cor combina. Eu espero!

Maquiagem: discreta, com cores delicadas. Deixe o azulão ou o super esfumaçado com duzentas cores mais um brilho pra festa. Na empresa as moças podem usar cores nude, cinza, marrom ou sombreado. Delineador ou rímel, ou os dois - mas nada de querer fazer a Jade! É coisa simples, delicada. E cuidado com o blush: na dúvida, use menos! Nada de ficar parecida com alguém que tomou uma chinelada de cada cara do rosto.

Unhas: com francesinha, apenas base ou vermelho.As comissárias só podem usar um anel em um dedo de uma mão. Dois se for casada - um de noivado e um de casamento, mas no mesmo dedo.

Brincos: apenas um em cada orelha. Preferencialmente uma pérola ou um ponto de luz. Coisas discretas. Nada de penduricalhos na orelha. Na dúvida, use a pérola.

Relógio: discreto. Isso vale pra homens e mulheres.  Por discreto eu diria um relógio que não tenha mais brilho do que você, senão ele é quem vai chamar mais atenção.

Sapato: salto alto. Não é sapato de travesti! Imagina que é algo de até uns 3 ou 4 dedos... mas, claro, quem sabe usar um sapato de salto conhece seus limites e até onde anda com elegância e onde começa a andar como o cavalo manco.

Roupa: na dúvida, olhe pra foto mais uma vez e veja o que elas estão usando. Claro que pode ir de calça social e terninho. Claro que pode ir só de calça e com uma camisa elegante. Mas, as comissárias da Emirates em geral usam saia, então, caso seja essa a ideia que você queira passar, prefirá-as. Que cor? A que você mais gostar. Eu sugiro cores pasteis e, se ficar bom com seu tom de pele, cores claras.


O QUE ELES PROCURAM?
Já te digo o que eles não procuram: gente chata! Chata em todos os sentido. Gente desinteressante, gente muito séria, gente que vê somente o lado ruim de tudo, gente dramática e gente extremamente racional. Mas, isso não é só o que eles procuram, é basicamente o que qualquer empresa procura.

Bom senso. Essa é a palavra de ordem pra se dar bem nessa e em qualquer outra empresa. Vamos falar dessa especificamente. O perfil do candidato para esta vaga é: pessoas jovens, de vários países e culturas, bonitos (ou que sejam bem apresentáveis), que consigam oferecer o melhor serviço de bordo do mundo e ser extremamente agradáveis com as pessoas e que falem inglês fluentemente.

Quanto a ser jovem, eu conheço gente de 35 anos que entrou na empresa. Voei com um esses dias. Mas, sinto informar que existe uma "deadline" para ingressar no mercado da aviação como comissário  e ela vai de acordo com sua aparência, não sua idade especificamente. Você tem 35 anos e está bem cuidada, com o corpo e a saúde em dia? Entra. Se está todo desleixado (a) e é até mais novo, não entra. Esta é SIM uma profissão onde vão te avaliar pela aparência - principalmente por ela - afinal, não estão te pedindo diploma de ensino superior para este trabalho. Então, não se sinta mal, apenas aceite que esta pode ser uma chance que já passou... nessa empresa. Há outras, nos Estados Unidos, por exemplo, onde eles contratam o que nós chamaríamos no Brasil de idosos. Varia, como eu disse, de vários fatores.

Eles buscam gente aberta a experiências e intercâmbio cultural. Oras, eu tenho cá sim meu pé atrás com gente de vários países, mas, no trabalho eu tenho que lidar com todos. Demonstre, no processo seletivo, que você gosta disso. As pessoas fazem amigos pelos pontos em comum, mas o que faz de você um bom profissional é saber lidar com as diferenças. Em um voo as vezes tem gente de 15 países que fala diferentes línguas e teve diferentes experiencias de vida. Mostre que você sabe lidar com esse fato e tira proveito e aprendizado disso. Como? Quando te perguntarem, toque no assunto... ou, simplesmente, seja agradável!


COMO ME COMPORTAR?
Preste atenção também à sua postura física, caro coleguinha: o corpo fala e sua leitura é bem clara. Evite ficar de pernas e braços cruzados enquanto fala com as pessoas, pois isso pode demonstrar desconforto. Cruzar os braços enquanto alguém fala demonstra rejeição ao ponto de vista do outro e desinteresse. Ficar apertando uma mão contra a outra demonstra ansiedade e desconforto em uma situação. Quando se sentar em uma roda, seus pés apontarão para onde estiver sua atenção: se eles apontam para a porta significa que você quer ir embora (exceto se você já estiver sentado de frente para a porta). O corpo inclinado pra trás pode demonstrar que você está à vontade, mas, se junto a isso os pés ou os braços estiverem cruzados, novamente, significa rejeição às ideias discutidas. O tronco ereto ou suavemente inclinado pra frente indica o desejo de prestar atenção ao que o outro está falando.

Claro que, as vezes cruzamos as pernas apenas para descansar de uma determinada posição ou no caso das meninas, pra não mostrar a roupa intima. Nesses casos, o nosso corpo se comporta de outra forma, dando outros sinais de que essa é só uma posição de conforto, então, não se moleste nem tente agir como um robô. Apenas se policie quanto a algumas posturas realmente negativas. As mão devem ficar preferencialmente relaxadas junto ao corpo ou pousadas sobre as coxas enquanto estivermos sentados. Enquanto falamos, devemos evitar excesso de gesticulação e é interessante manter os dedos das mãos juntos sempre que possível, além das mãos na altura do umbigo ou na lateral do corpo enquanto estivermos de pé.



Eles ainda podem fazer mais perguntas sobre diversos assuntos, pra saber se você se enquadra nos padrões que eles procuram. Então, relax and take it easy! Mostre que você é o que eles procuram, sorria como se não houvesse amanhã e controle-se pra não mostrar sinais de cansaço ou desgaste. O processo seletivo pode demorar muitas horas, então, se perguntarem se você está cansado a resposta é NÃO! Lembre-se que a Emirates tem voos de mais de 15 horas, e o comissário tem que ter pilha pra durar por todo esse tempo. Dale tomar uns energéticos aí pra ficar ligado que nem aquele coelhinho da duracell. Leve snacks pra comer durante a espera e, quando necessário, vá no banheiro dar um tapinha no visual.


Mantenha uma postura ereta e faça seus movimentos de forma educada e graciosa. Sabe quando parece que alguns movimentos estão em slow motion? É bem por aí. Não é pra se mover como um mentecapto, mas, por favor, use o bom senso e haja como um lord/ lady. Parece bobagem eu te falar isso só que ainda há gente que se esquece que está procurando emprego numa empresa que ostenta títulos por seu atendimento first class, mesmo quando os passageiros viajam em econômica. Então, fica a dica: movimentos leves; tente manter os dedos juntos; sente-se graciosamente e não fique de fofoca com outras pessoas enquanto algum dos entrevistadores estiverem falando - eu acho que jogaria meu sapato na cabeça de quem estivesse falando durante as minhas instruções, ou melhor, mandaria pra casa pra parar de ser bocó.

Outra coisa que é de se considerar é o grupo de pessoas com a qual você está interagindo. Achei engraçado que quase todo mundo que estava na minha "panelinha" durante o processo seletivo entrou na empresa. Mas, sabe o que acontece, a gente tende a se juntar com pessoas com a mesma energia que a nossa - aí, não to falando de conexões espirituais, mas sim de comportamento - portanto, antes, depois e durante, evite ficar próximo a pessoas que reclamam muito ou que tem uma atitude negativa. Elas vão acabar te influenciando sem você nem perceber. Saia a francesa, vá ao banheiro... faça novos amigos!


O QUE RESPONDER?
Responda, de preferência, apenas o que te perguntarem. Somente pergunte o que você acha que o google não pode te responder. Muitas pessoas querem se mostrar proativas e acabam bancando os chatos. Eles darão espaço pra perguntas e aí você deve colocar alguma questão que você tenha - se ainda tiver alguma. Essa cosia de "ai, vou perguntar só pra mostrar interesse" é coisa de aula da faculdade. Aqui eles querem que tudo aconteça o mais rápido e fluidamente possível. Ou seja, se feche!

Passando pra um ponto mais prático, eu gostaria de te ensinar um pensamento que norteia a atividade financeira de qualquer empresa: "nada substitui o lucro". Isso eu aprendi na TAM - é um dos 10 mandamento do falecido Comandante Rolim. Ou seja, quando alguém te perguntar sobre quem você favoreceria em uma situação onde alguém tem de ser prejudicado, a sua resposta vai sempre pra aquele que não vai dar lucro pra empresa onde você trabalha. Qualquer coisa que não dê lucro e não está mantendo a empresa, automaticamente, dá prejuízo. Porque te falei isso? Porque há dinâmicas durante o processo seletivo em que eles querem saber quem está com a razão em determinadas situações, ou pra quais dos 10 passageiros você da o lugar no avião se só tiverem 3 assentos disponíveis. A resposta é: o lucro! Escolha os 3 que dão mais lucro pra empresa - os passageiros que sempre voltam.

Já se prepare pra responder perguntas como:
Está preparado pra sair de casa e do seu país?
Porque você quer trabalhar nessa empresa?
Como é pra você morar em Dubai?
Me fale de alguma coisa especial que tenha feito no seu ultimo emprego?
Me conte sobre um defeito e uma qualidade suas?
O que você sabe sobre a empresa?

Respostas tem que ser sempre positivas. Fuja do clichê! "Ai, meu defeito é ser perfeccionista!". Meu cú! Seu defeito é soltar pum no elevador que eu sei. Responda uma coisa que não te comprometa, mas, que seja real. "Veja bem, eu não gosto muito de me exercitar, mas acho que vou acabar fazendo algum exercício físico trabalhando no avião, não é?" ou "Bem, eu não sou um mega fã de acordar cedo, mas meu despertador funciona bem e depois de um café, eu tô pronto pra vida". Viu como não é tão difícil falar a verdade sem parecer um robô e ainda ser "engraçadinho"? Aliás, eu diria que este é um fator fundamental: ser animado/ divertido. Não é pra ser um palhaço, mas, todos gostam de estar próximos (e ser atendidos) por alguém que traga luz e leveza ao ambiente. Ria e faça alguém rir também. O mundo já tem muitos idiotas sérios. Não seja mais um! Eu sempre tenho voos melhores quando a tripulação é divertida; e é basicamente isso que a empresa busca: pessoas com sorrisos genuínos que saibam compartilhar alegria e criar bons e memoráveis momentos.

Se tiver que dar respostas, elas devem ser sempre dinâmicas e educadas. Nada de respostas muito duras como "sim" e "não". Se você ainda não percebeu, isso soa como arrogância e desinteresse ao que se está conversando. E, pelo amor de Alá, outro dia uma menina veio conversar comigo pelo skype pra perguntar o que ela devia responder no processo seletivo. Ela não me deixou terminar uma frase na nossa conversa de 4 minutos (que durou só isso porque eu fiquei sem paciência); então, deixe todos participarem das discussões e atenção a sua postura na hora de entender e aceitar a opinião dos coleguinhas. Nem todos pensam como você e nem todas as respostas serão como a sua.


COMO ESCOLHER  FOTOS E ORGANIZAR O CURRICULO?
Boa pergunta. Muita gente veio me perguntar como seria o curriculo de um comissário de bordo, e minha resposta é: não há um padrão. Simples assim! Faça como você preferir. Há varios modelos de curriculo disponíveis na internet, basta fazer uma busca rápida no google. O meu foi assim:


Eu o fim no formato de "uma página", porque quis manter apenas as informações mais importantes no começo e tornar mais rápida a visualização das informações. E coloquei uma foto, porque, nessa profissão a imagem é tudo - assim sempre relacionariam o nome à pessoa daquele curriculo. Para a "final interview", por exemplo, eu recomendo um curriculo mais detalhado pois a entrevistadora terá tempo pra discutir e perguntar sobre tudo que está lá. Claro que, se você quiser já levar um curriculo com 3 ou 4 páginas, fique a vontade... mas, francamente, eu não acho que para esta profissão alguém esteja interessado nos detalhes minuciosos da sua dissertação de mestrado. Constando que tem o mestrado e no que é, tá certo. O resto eles perguntam. Um curriculo básico deve conter:

-Dados pessoais
-Objetivo/ função pretendida
-Formação escolar
-Conhecimentos adicionais - línguas, informática, cursos que tenha feito
-Experiência profissional
- Descrição básica sobre você/ apresentação pessoal no começo ou final do curriculo. Ou pode ser feito numa carta de apresentação entregue junto ao curriculo.

****Não esqueça de colocar seu número de referência no curriculo. Ele aparecerá assim que você terminar de fazer seu registro online no site da Emirates. Leia os outros posts sobre Open Day pra saber como e onde preencher isso e obter esse número ******

Sobre as fotos, daí é ainda mais pessoal. Mas, mais uma vez, use o bom senso. Aqui no Blog está cheio de exemplos de fotos para curriculo e fotos casuais.  CLIQUE AQUI para consultar sobre isso em um outro post do blog. Ou visite o site do FOTO SANJER pra ver mais exemplos de fotos no padrão pedido (minha foto está lá também he he he).


O QUE (EU ACHO QUE) UM COMISSÁRIO PRECISA TER OU FAZER?
Pra começar, só deixar claro mais uma vez que isso é o que EU ACHO. Não tem isso escrito em nenhum lugar e não é porque eu estou escrevendo que é assim. Isso é só uma opinião de quem já está aqui e viu muita gente passar, ou não, nesse processo seletivo. E, no mais, se eu soubesse a formula mágica pra entrar nessa empresa, eu venderia informações... não escreveria de graça em um blog (mentira, eu sou legal - escreveria sim!).

Tá, primeiro de tudo e por mais estranho que pareça, eu acho que as pessoas tem que ser meio "silly" pra se dar bem e ser selecionado pra esse trabalho. Veja bem, a tradução pra silly é bobo ou palerma; mas em inglês ela quer dizer mais e é justamente esse "mais" que não dá pra traduzir muito bem. É uma mistura de despretensioso com animado. Eu acho que ninguém precisa ser um PHD em relações sociais pra conseguir servir uma bandeja pra uma pessoa dentro de um avião. Não precisa ser perito em segurança pra verificar se os cintos estão afivelados e mudar uma alavanca de lugar. Tampouco precisa ter doutorado em medicina aeroespacial pra oferecer os primeiros socorros e muitas vezes salvar a vida de pessoas. Pra essas coisas, você receberá um treinamento e será qualificado pra fazer conforme as expectativas da empresa e as necessidades do mercado. E daí, eu espero que você faça isso bem e seja curioso pra aprender sempre mais e fazer melhor.

O que "vai além" é a capacidade de engolir os sapos do dia-a-dia e rir diante da adversidade. Exemplo: quando uma pessoa chega dentro do avião de cara amarrada você não vai tirar sua tese de comportamento do consumidor do bolso e ler o que deve ser feito pra recuperar um cliente insatisfeito. Você vai lá na pessoa e vai ser o "animador da corte" por um momento; o psicologo que vai ouvir a pessoa reclamar por uns momentos e, se você conseguir ser forte ou "bobo" o suficiente pra não levar nada do que é dito como ofensivo ou pessoal, você terá animado o dia de um cliente ser humano. Ou seja, nesse e em muitos outros momentos o seu diploma vale menos do que sua habilidade de não absorver essas coisas. E quem é animado, engraçado e extrovertido passa por essas situações com mais facilidade. E os recrutadores sabem disso.

Eles não buscam respostas filosóficas. Se durante o processo seletivo te pedem pra inventar uma nova função para uma régua, você pode dizer que é algo para coçar as costas, ou que é um mata baratas para os cantos do sofá... não precisa dizer que é agora a régua é um objeto que você usará pra medir seu grau de evolução intelectual no futuro. O simples é sempre bem vindo, neste caso. Você precisa ser rápido, dinâmico, criativo, educado e efetivo nesta profissão. Coisas complicadas são chatas, e eles querem pessoas divertidas e competentes ao mesmo tempo.

 Se te perguntarem porque você gosta de banana, diga o que é simples e verdadeiro: "gosto porque é gostoso". Nada de "ai, gosto da banana porque na  Grécia antiga"... Isso é ser chato, não ser divertido. Muitas e muitas vezes no trabalho você precisa ajoelhar e pedir desculpas pra alguém porque não tinha a opção de comida que ela queria. Sério? A pessoa pode comer a outra opção (salvos casos de restrições alimentares) mas ela está criando drama por causa disso. Então, se você for "silly", você vai lá, pede desculpas, mesmo que por dentro você esteja mandando a pessoa para além da lua, e acabou! E ainda consegue fazer uma graça e reverter essa situação apenas com gentileza e alegria. E os recrutadores também sabem disso. Ou, se bobear, será insultado por alguém e nem se dará conta disso. Já, se você for alguém sério e arrogante, vai virar e falar: "Esculta meu filho, sabe com quem você está falando? Tenho dois mestrados e tô aqui te servindo, então abaixa a bola, seu analfa"; e sabemos que não é bem por aí que a coisa deve ser.

Se você for uma pessoa que demonstrar ser muito inteligente e capacitado, a impressão que dá é que você não vai aceitar se "submeter" ou se "sujeitar" a uma situação dessas. O mundo é dos bobos. Os bobos são os que prosperam, porque eles são ajudados. Ninguém ajuda os inteligentes - as pessoas acreditam que eles vão chegar lá por mérito ou por desempenho. E eles chegam, depois de passar por mais dificuldades. Em resumo, vista uma pele de cordeiro saltitante e pimpão para este processo seletivo. Mas, seja um cordeiro elegante que anda de salto alto e berra em 5 diferentes línguas.

No mais, procure não mentir muito. As pessoas que mentem sobre suas capacidades ou seu jeito de ser acabam se frustrando facilmente com essa profissão. Tudo é bem diferente do que parece quando ouvimos somente as maravilhas e o glamour de ser comissário de bordo. A realidade é bem diferente; mas ainda assim, encantadora. Quando eles selecionam as pessoas pra esse trabalho eles meio que já observam quem aguenta o tranco e quem não; e se você for um dos que não aguenta o tranco mas mentiu e foi selecionado acabará tendo dois trabalhos: fazer uma mala pra ir e outra pra voltar.



Boa sorte!
E, por favor, não me pergunte mais do que eu já falei aqui. Agora, realmente, tudo o que eu sei está nesse blog - neste post e nos demais sobre processo seletivo. Se alguém mais vier me perguntar sobre tatuagens ou idade pra ser comissário de bordo, eu faço um vudu da pessoa e jogo na turbina do avião!



sexta-feira, 18 de maio de 2012

MODO DE ESPERA PELOS PRÓXIMOS 3 MESES (CANDIDATES ON HOLD)

O tempo passa, o tempo voa. E a minha paciência continua numa ... paciência? Alô?! Bom, e aqui estamos nós, na espera ainda. Todos os que estavam pra receber um NÃO já o receberam e os demais... bem, os demais, como eu, estão aguardando. E a previsão é de mais espera. Como diz a representante da Flyright (o grupo que nos auxilia aqui no Brasil durante todo o processo seletivo e de contratação): Sometimes NO answer is better than an answer NO.

Há quase um mês atrás nós recebemos uma mensagem através daquele grupo do facebook, onde estão todos os meninos que aguardavam uma resposta, pedindo pra que esperássemos mais duas semanas por um posicionamento da Emirates. Mas, apenas uma semana depois as bombas começaram a ser lançadas do Oriente Médio sobre nossas cabeças (O EXAGERADO eu! kkk não é pra tanto!). Nos informaram que havíamos sido colocados  em modo de espera. Tipo, que nem musiquinha de espera no telefone?! kkk ... bem isso! E que esse período de espera poderia durar até 3 meses.

Um pouquinho antes disso, eu tinha lido em um grupo de wannabes dizendo que um coleguinha foi chamado pra trabalhar no aeroporto em Dubai - como agente de aeroporto - depois de ter sido colocado em modo de espera, e que muitas outras pessoas pelo mundo estavam nessa mesma situação de espera. Eu fiquei preocupado porque, se depois dos 3 meses eu não obtivesse uma resposta, um NÃO seria eminente. Ai, ai, ai... mas, desesperar pra que?! Tá na econômica, abraça a silver tray e canta "ai se eu te pego"...

Lembrando que, nessa altura do campeonato eu já estava esperando desde o começo de março (esse modo de espera começou no meio de abril). E aí começam a vir as teorias: eles tiveram uma quantidade muito grande de homens aprovados nas ultimas campanhas internacionais -além das expectativas - mas não queriam ter que dispensar logo de cara pessoas que se enquadravam nos padrões deles. E, vá... eu acho que tava nesse grupo. Faz sentido, se pensarmos que eles contratam mais mulheres que homens (normalmente, nas cias aéreas, a proporção é de 1/3 de homens). Outra hipótese era a de que eles não estavam pegando falantes de português no momento, porque já os tinham em quantidade suficiente. Também fazia algum sentido pois cheguei a ler que somente homens nativos de países árabes ou que falassem árabe estavam sendo contratados naquele momento... e as mulheres, bom, elas são demanda permanente da empresa, falando português, inglês, checo ou mesmo aquelas que só sorriem e acenam.

Eis que, depois, começaram a ser adicionadas mulheres à lista de pessoas on hold. A lista teve de mudar de nome  pra "candidatos em espera".E os processos seletivos de algumas cidades foram adiados ou remarcados pra datas posteriores a julho. Aí as luzes de emergência acenderam, a slide raft inflou e a gente gritou salta e escorrega, salta e escorrega... porque veio aquela sensação de dúvida. E a gente sabe que onde há fumaça... há passageiro fumando no toalete! kkk (O EXAGERADO, novamente!kkk)

Daí, vem a nova pergunta: e agora José, quando será que virá o DOJ (day of joining)? Será que virá um não por aí? Acho que não... que não virá o não ... o que parece ter acontecido é que a empresa teve uma grande demanda em treinamento para que os funcionários operassem todas as aeronaves que a empresa voa pois, pra quem não é familiarizado com a coisa, você precisa fazer um treinamento e ter habilitação pra cada tipo de aeronave que pretende voar. Daí, as salas do Emirates College parecem ter sido disponibilizadas pra esses novos treinamento dos funcionários que já estão na empresa, o que deixa pouco espaço pros cursos ab-initio (do pessoal que está entrando na empresa). Meu status no site da Emirates continua como "approval in progress", não foi adicionada nenhuma informação de modo de espera ou qualquer outra coisa. Pelo menos até agora.

E, como sempre estamos bem informados pela prestativa equipe da flyright, já fomos notificados que essa semana algumas meninas que estavam em hold foram chamadas e que, pelo que parece, aos poucos o carrossel de contratações, alojamento de pessoas e treinamentos está voltando a girar. Agora é só esperar a minha vez pra subir no cavalinho! O lado positivo é ver que eles pelo menos estão fazendo o possivel para nos contratar e não nos dispensar de cara. Isso é bem legal por parte de uma empresa, pois mostra a importância que o "possível futuro funcionário" já tem pra ela, e que a gente não é qualquer coisa... ponto positivo pra Emirates!!!

(Achei uma foto de um carrossel com um aviãozinho. GOOOSTO!)

Mas, como eu não tô podendo ficar de vagabundice por aí, arrumei um emprego de recepcionista bilíngue em um hotel (Howard Johnson Faria Lima), só pra ganhar alguma grana e continuar treinando o inglês enquanto a grande resposta não vem. Estou trabalhando como um louco nesse hotel, mas, está sendo bem interessante... ao menos já sei uma profissão que não quero seguir... 

Nesse meio tempo, continuo tricotando pra exercitar a paciência... uma colcha de casal está por vir...
E isso aí....
Vamos esperar e voar!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

EMIRATES - FINAL INTERVIEW (2010)


E daí, chegou a terceira fase do processo seletivo para comissários da Emirates. Mas, se você acabou de chegar, recomendo que veja primeiro as informações sobre o OPEN DAY e sobre o ASSESSMENT DAY.


Como havia dito, eles informam os dias e horários que estão disponíveis para fazer a entrevista pessoal. Essa entrevista é feita diretamente com um selecionador da Emirates (gringo). Geralmente, as entrevistas começam no dia seguinte ao do AD e acontecem nos próximos 2 ou 3 dias consecutivos, dependendo da quantidade de candidatos. Normalmente quem é de outras cidades e estados tem prioridade na hora de escolher as datas e horários.

Eu, por ser da cidade de São Paulo mesmo, ser menininho e muito cortes, fui um dos últimos a escolher. Marquei minha entrevista para o 2º dia de entrevistas (eram esperados 3), no horário das 10h. Minha lógica pra isso: 2º dia porque no 3º elas já teriam visto muita gente e poderiam estar cansadas; o horário também foi pensado ... contando que elas começavam as 8h e paravam pra almoçar as 12h, eu pensei em não ser o primeiro, porque elas poderiam estar meio 'desconfortáveis' por ter de acordar cedo, e não quis deixar pra mais tarde, porque com a proximidade do horário do almoço, a fome aumenta e elas podiam ficar 'desconfortáveis' por isso também. Pergunta se minha lógica adiantou de alguma coisa...


(O DVD com os videos do OD, que eu ganhei no AD)

Eu estudei nesses dois dias como se não houvesse amanhã e fiquei vendo os videos felizes do DVD que eles me deram. Confesso que decorei varias coisas, bem louco eu! E estava tão ansioso que simplesmente não consegui dormir de segunda pra terça (o dia da minha FI).

Fui ter sono as 6h da manhã, na hora de acordar. Então, lá estava eu cedo tentando fazer os rebeldes aqui de cima - vulgo meu cabelo - ficarem apresentáveis. Sai de casa com bastante antecedência, mas, eis um fardo de morar numa grande cidade: sem mais nem menos, rolou um baita trânsito e, de repente, fiquei atrasado! Peguei um taxi até o Intercity (a corrida dá uns R$15,00 desde o metrô Ana Rosa ou Santa Cruz) e consegui chegar faltando 5 minutos pra minha entrevista. Eu tava todo esbaforido e suado! Uma meleca! Mas, tava lá!

Quando cheguei, encontrei um menino esperando sua vez - ele seria depois de mim! Me senti um atrazildo, porque o guri tava lá com mais de 1h de antecedência. Mas, anyway. Ele começou a falar comigo em inglês, mas, eu já soltei um: "Meu amigo, você é brasileiro, né!?". Revolta feellings. Ele me disse que tinha feito um outro assessment day, sei lá quanto tempo atrás, e estava lá porque não tinha conseguido fazer a FI da outra vez. Ok!

Depois de uma pausa para ir ao banheiro me recompor, com quem me deparo? Não, não era a Bellatrix, mas sim a fofa da Egípcia simpática (Não entendeu nada? Veja o post anterior). Fiquei super aliviado, e ela me disse que falaria comigo em mais 10 minutos. Enquanto isso, pediu pra que eu fosse preenchendo um daqueles testes psico-alguma-coisa, onde você risca formas geométricas e tal. no que eu estava fazendo era necessário fazer associações, do tipo "este está para esse assim como esse está para esse". No começo eu achei o troço meio retardado, mas, depois da página 40 eu já tava meio zonzo, só pensava: "Vish, que troço é esse". E olha que eu não sou retardadinho! Até consegui passar nos exames psico-alguma-coisa e tirar meu CCF, diga-se: Certificado de Capacidade Física, obrigatório para comissários de bordo brasileiros.

Outro rapaz que não havia feito o AD comigo, e que fez a entrevista na minha frente, saiu e consegui conversar com ele um pouquinho. Ele falou que tinha sido tranquilo, e que ela era legal. Alivio! E lá fui eu, entrei na sala feliz e saltitante, sorrindo e sendo simpático. Primeiro ela confirmou toda a documentação solicitada por eles. Nada demais, varias coisas simples de providenciar. Depois veio o momento de escolher as duas fotos casuais que eles haviam solicitado. Eu levei um monte de fotos, das minhas viagens, e ficamos vendo, a egípcia e eu. Ela me perguntava detalhes sobre as viagens que tinha feito, perguntava se não tinha tido problema pra entrar em nenhum lugar e tudo mais. Daí, ela viu essa foto:

(Eu acariciando uma leoa, em um zoológico da Argentina)


Daí ela pirou (no bom sentido!) e começou a me perguntar coisas sobre essa viagem, e pediu dicas do que fazer lá e tal. Depois, voltamos á realidade da entrevista e ela começou as perguntas mais formais. Coisa do tipo:

- Porque você saiu do seu ultimo emprego?
- Você teve algum conflito no seu ultimo emprego, como você resolveu?
- (clássica) Porque você quer ser um comissário de bordo?
- Com quem você mora atualmente?
- Já teve de lidar com clientes? Como foi? Já lidou com algum cliente bravo?

E assim vai. Comecei falando que ainda estava no meu emprego: um musical! E ela pirou denovo, falou que adorava e que conhecia vários. Eu sitei que já tinha dado aulas de sapateado e ela disse que a filha dela ia adorar me conhecer, porque também ama sapateado e tal. Fui falando que não tinha tido problemas com outros artistas nos trabalhos que fiz porque aprendemos desde sempre a trabalhar juntos; falei que quando a gente esquece o texto o colega de cena nos ajuda e a gente tem que improvisar alguma coisa na hora. Detalhe, eu troquei "improvise" por "improve", para improvisar... e ela olhou com uma cara de 'cacá neném'! Aí ela me perguntou: "you told 'improvise', right?!" e eu (SORRINDO) "right!". Mas, convenhamos, naquele momento, sem dormir, eu não tava conseguindo pensar nem em português let alone em inglês. Daí, começamos a ter problemas na comunicação. Dei algumas escorregadas que, só depois, já fora da entrevista, me toquei.

No fim das contas, depois de uma conversa bastante tranquila onde a entrevistadora me deixou bem confortável ela me perguntou quanto tempo eu precisaria pra deixar meu trabalho e me mudar pra Dubai. Eu falei que precisaria até o final do ano, por conta da minha temporada do musical, isso porque estávamos no começo setembro. E ela disse que não sabia se eles podiam aguardar esse período. Daí, e só daí, ela foi conferir meu curriculum e viu que lá constava inglês intermediário. Eu disse que, com alguns meses a mais de vivência na língua eu teria fluência porque, venhamos e convenhamos, meu inglês era um BOM intermediário. Ela disse que não teria esse tempo pra eu me adaptar e perguntou se eu não preferiria esperar uma próxima oportunidade para me juntar á Emirates, porque quando chegasse a Dubai teria de fazer um intenso treinamento completamente em inglês, e se não tivesse o desempenho esperado, teria de voltar pro Brasil e esquecer a ideia de trabalhar lá. Respondi que se não fosse naquele momento pra Dubai, provavelmente teria de continuar trabalhando com musicais, o que me deixava com pouco tempo livre pra realmente me dedicar a estudar alguma coisa.

Ela então continuou lendo meu curriculum e complementou o pensamento, com um toque bem de conselho de mãe: "eu vejo aqui que você fala inglês intermediário, espanhol intermediário, está aprendendo francês e árabe, trabalhou em empresa aérea, fez um curso de trasportes ferroviários, faz faculdade de publicidade e trabalha como ator e cantor, mas, qual é o seu foco?". Eu não pude responder nada. Ela tinha razão. Então, perguntou se eu tentaria de novo depois de um ano, período que você tem que aguardar entre uma final interview e outra. Respondi que provavelmente não poderia, pois precisava me manter na faculdade e continuaria fazendo musicas. Ela então fez mais algumas perguntas e me liberou, dizendo que o resultado seria mandado em até 6 semanas e que eu deveria estudar inglês durante esse período. Me despedi, SORRI pela ultima vez, e ela me acompanhou até a porta.

Quatro semanas depois, eu recebi um e-mail informando que eu não havia sido aprovado, mas, que eles gostariam que eu tentasse novamente no futuro. Acho que era uma daquelas mensagens padrão. No fundo, eu acho que poderia ter sido aprovado, mas, não estava pronto ainda. Acabou que não ter passado foi a melhor coisa que aconteceu. A temporada do musical acabou no final do ano e no começo de 2011 eu fui pra Nova York esfriar a cabeça e estudar um pouco de inglês. Quando voltei fui fazer mais um musical e em outubro comecei meu curso de comissário de bordo. Em dezembro recebi meu certificado do inglês e tenho estudado pra atingir essa meta.


Agora, é só torcer para que dê tudo certo!
Se gostou do post ou tem dúvidas de como rola o processo, só deixar seu recado aqui!
É isso! E vamos voar...



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

EMIRATES - OD, AD, FI - COMO TUDO COMEÇOU.

UM POUCO DE HISTÓRIA (Minha história)

Bem, essa coisa toda de ser comissário de bordo começou na minha vida quando eu tinha uns 16anos e estava fazendo um pequeno musical chamado "A moreninha". Eu tinha sido chamado pelo diretor, pois eu o tinha conhecido em algum lugar - que não me lembro onde. E no elenco desse musical tinha uma moça que era comissária da TAM. Assim, ela não tinha aquela cara de comissária que muitas das nossas amiguinhas da passarela tem, mas, ela era. Comecei a perguntar coisas sobre o trabalho dela e tal, e fiquei encantado com todas as vantagens de se trabalhar como comissário. O musical nunca chegou a estrear, mas alguma utilidade aquilo tudo teria na minha vida, e eu só descobri muito tempo depois.

O tempo passou e, quado eu estava com 20 anos, tinha dificuldades em encontrar estágio por conta do período no qual fazia faculdade - na época era de tarde - mas, um dia, minha irmã mais velha veio com a noticia de que a TAM estava contratando pessoas pro call center e atendimento internacional. Eu não fui a pessoa mais feliz do mundo quando fiquei sabendo disso, porque nunca tive interesse em trabalhar com telemarketing mas, como os horários batiam com o que tinha disponível aceitei. Comecei a ter contato com toda aquela rotina de informações de viagens e itinerários, e depois de 6 meses veio a tão sonhada LIBERAÇÃO DO SISTEMA DE CONCESSÃO DE PASSAGENS. É muito incrível comprar passagens com 92% de desconto, ou seja, ida-e-volta pra Buenos Aires, em classe executiva, por R$180,00 (na época). Eu viajei bastante... bastante mesmo!

Eis que começou a surgir uma paixão por essa coisa toda de voar. O céu é muito lindo! A ideia de subir numa máquina e ela voar é algo incrível! Me apaixonei por voar e viajar e, a parti daí, nunca mais quis parar.

Enquanto isso... o prédio da TAM mudou da Rua Vergueiro, onde era quando eu entrei no call center, para a Rua Augusta, esquina com a Alameda Santos (onde tem, ainda hoje, a TAM VIAGENS). Isso significava que ficaria muito mais fácil pra eu ir á pé do Mackenzie, onde estudava, até o trabalho. Nessas alturas eu já estava fazendo outras coisas, como atender web chat (um serviço pra clientes fidelidade azul e vermelho), Fale com o presidente (ombudsman) e fila ( que trabalha com relocação de passageiros por conta de overbooking e oversale).

Eis que um dia, quando caminha entre a faculdade e o trabalho, resolvi ir desde o começo pela Rua Augusta. Passando por umas casas velhas, eu encontrei o Centro Cultural Árabe Sírio de São Paulo, que oferece cursos de árabe de graça. Eu sempre amei línguas, e nessa época já estudava inglês e francês. Não tive dúvidas, e um tempo depois lá estava eu no árabe também! Engraçado, porque desde pequeno eu sempre quis escrever em árabe - tenho uns rabiscos guardados até hoje - e de repente, pude realizar esse desejo sem pagar nada e ainda no meio do caminho entre faculdade e trabalho.

Daí, estava eu um dia trabalhando... naquelas, com um folheto em árabe na mão tentando entender, enquanto digitava uma mensagem pra um passageiro, quando um dos meus supervisores achou interessante eu aprender árabe e sugeriu que eu devia tentar trabalhar na EMIRATES. Pronto, dois minutos depois lá estava eu no nosso sistema operacional, o SABRE, caçando vôos da EK (sigla da Emirates) e vendo pra onde eles voavam. Me interessei muito pelo que ele havia me contado, que eles faziam seleção no Brasil e tal, e que não precisava fazer curso de comissário pra trabalhar com eles. Só falar inglês já basta.


(Adoro essa imagem de Dubai, com um avião da EK. É meu papel de parede)


Mas, a vida dá umas voltas e, alguns meses depois, eu já tinha saído da TAM e trancado a faculdade pra fazer um musical chamado "Planeta água". No final desse mesmo ano (2009) eu fui pra Europa com duas amigas - viajando de TAM - e, quando voltei, fui labutar como assistente da diretora Maiza Tempesta no curso de musicais TeenBroadway, onde conheci uma pessoa que depois me indicou para fazer o musical Avenida Q, onde acabei sendo protagonista. Imagina, uma pessoa de 21 anos como protagonista de musical da Broadway!? Eu tava nas nuvens, ou melhor, ainda não.

Em agosto de 2010, meu grande amigo Paulo, que trabalhou comigo na TAM mas, nessas alturas já estava na American Airlines num outro setor, me chamou pra acompanhá-lo no processo seletivo da Emirates aqui no Brasil. Até então, eu nem sabia como funcionava tudo direito, mas, tinha aquela vontadezinha de ver como era. Eu estava no meio da turnê do Avenida Q e a primeira fase do processo seletivo seria justamente num dia em que teria apresentação. Então, disse pro Paulo que não seria daquela vez... mas, alguns dias depois, a apresentação simplesmente foi remarcada para duas semana depois, ou seja, daria certinho pra eu ir no Open day - primeira fase do processo seletivo.

E eu acabei indo, mais pra acompanhá-lo do que qualquer outra coisa. Ele é super competente, bem afeiçoado, fazia curso de comissário, tinha começado a faculdade de aviação cívil, já morou nos EUA e na época era, de quebra, coordenador pedagógico de uma unidade do Yazigi; então... é, ele tem perfil pra ser comissário. Eu, em compensação ... fim-fon-fum... era só simpático! Meu inglês ainda era intermediário e eu havia parado de fazer árabe e francês por conta da rotina louca do musical.

E, bem, só pra simplificar a conversa... eu fui até a fase final. Loucura, né!? Acho que era pra ser. Não cheguei a ser contratado, mas, hoje considero essa a minha meta. Fiz o curso de comissário de bordo na escola Flight Brasil, aqui em São Paulo, só pra ter um diferencia; terminei o inglês e me dedico muito a estudar, ver videos relacionados e aperfeiçoar meu inglês. Vou, nos próximos posts dividir com vocês algumas das minhas experiências em todas as fases do processo seletivo que fiz em 2010, e colocá-los á par das coisas que estão acontecendo desse processo seletivo de 2012, onde estou também participando.

É isso! Vamos voar...

domingo, 14 de agosto de 2011

E o mundo é meu quintal ...

Bem, antes de mais nada, acho que devo me apresentar:

Me chamo Roberto Donadelli, sou ator, cantor, bailarino e tenho formação em Publicidade e Propaganda e Téc. em Sistemas de trasportes sobre trilhos pelo SENAI-CPTM. E o que isso quer dizer? ... nada!

Eu passei o que posso chamar de vida, até o momento, sonhando em atuar e trabalhar em musicais. Meu sonho se realizou no ano passado, quando protagonizei o musical Avenida Q (aqueles dos bonequinhos boca-suja!rsrs)... mas, no meio do caminho alguma coisa diferente aconteceu. Por razões que só Freud explicaria, eu acabei tomando conhecimento da existência de uma Cia. Aérea dos Emirados Arabes. Não, eles não estão em guerra com ninguém e sim, eles vivem do dinheiro que vem da venda do petróleo.

Eis que me apaixonei pela idéia de me tornar comissário da Emirates Airlines. Não estou muito certo disso ainda, mas, já estou certo de que algumas outras coisas eu não quero para minha vida, dentre elas a instabilidade de uma carreira artística. Mas, tudo muda! Isso é o que pensao hoje. Vai saber sobre amanhã...

Bom, eu já trabalhei anteriormente em uma Cia Aérea, a TAM (que aliás, pouca gente sabe que é a sigla pra Transporte Aéreo Marília - curiosidade inútil!). Não era como comissário da TAM. E ainda não sei bem se eu era feliz ou não lá, mas, conheci um povo muito louco e alguns bons amigos pra vida toda. Na TAM eu comecei a voar, graças aos privilégios de concessão de passagens e daí não parei mais.

Já consegui ir pra Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Perú, Escócia, França, Inglaterra e Estados unidos. Não é muuuuuita coisa, mas, já me faz feliz e me faz ver que é isso que quero pra minha vidinha: viajar, conhecer o mundo, novas pessoas, outras culturas... e, why not ganhar algum dinheiro pra isso, não é meixmo? Taí ... por isso que a mim me gusta a idéia de virar comissário. Não, a parte de ser garçom em teco-teco não é o que me atrai, mas sim a parte LUXO disso! E a Emirates e top-top nesse quesito.

Eu já tentei uma vez participar do Open Day na Emirates, que é como um dia de apresentação da cia. Cheguei a fazer o assessment day e consegui chegar até a Final interview. Mas, meu inglês, na época ainda bem furréco, não me permitiu fazer as malas e dar bye bye á terra da cucúia - patria amada Brasil. Porém, tô estudando que nem um lãouco pra que isso não se repita. Meanwhile, fico por aqui lambendo meus dedos e dividindo as experiências que já tive com relação a isso e outras coisinhas mais.

Bem, é basicamente por isso que começo minha jornada de escrever esse blog. Pra compartilhar algumas dicas das viagens já feitas e das muitas que ainda virão. Além de manter todos atualizados da minha vidinha abroad - assim que eu tiver uma vida "abroad"!


Sigam me os bons! rsrs
Greetings.

Roberto Donadelli